terça-feira, 14 de agosto de 2018

Pierre Bourdieu e a Formação do Habitus

"O costume de ver todo dia esta gente na sua degradação me habituava com a sua desgraça. Nunca, menino, tive pena deles. Achava muito natural que vivessem dormindo em chiqueiros, comendo um nada, trabalhando como burros de carga. A minha compreensão da vida fazia-me ver nisto uma obra de Deus. Eles nasceram assim porque Deus quisera, e porque Deus quisera nós éramos brancos e mandávamos neles. Mandávamos também nos bois, nos burros, nos matos."
(Menino de Engenho, José Lins do Rego) 


domingo, 12 de agosto de 2018

Teoria do Medalhão


Machado de Assis faz uma crítica à mentalidade da elite brasileira no século XIX. Verificava a ausência de um projeto nacional e visão patrimonialista dos bens públicos. Neste sentido, tínhamos um grupo, dissociado da maioria da população, que acessava os privilégios do estado, enquanto esta ratificava sua condição de subcidadania ao necessitar que os seus direitos fossem concedidos como dádivas ou presentes pelas classes dirigentes. Apesar do discurso oficial destacar a meritocracia como forma de ascensão social pela aquisição de status e salário através do esforço e qualificação, a Teoria do Medalhão desvela a hipocrisia desta tese.
Ao ler a Teoria do Medalhão em, http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bv000232.pdf, podemos identificar algumas categorias marxistas neste conto. Aproveitem esta oportunidade em conhecer um dos grandes contos nacionais e fixar conceitos estudados na semana passada.

Há um método na crítica?


Para o uso na análise do discurso, utilizando-se de um autor trabalhado na última semana, proponho que os conceitos de Karl Marx possam ser referenciados em uma reflexão acerca da validade das premissas na argumentação apresentada por Marilena Chaui. Independente da veracidade do texto, deve-se entender a lógica interna que o estrutura. Assim, será possível compreender os conflitos ideológicos que perpassam a disputa pelo poder no tabuleiro político brasileiro.
Há época do lançamento do livro: 10 Anos de Governos Pós-neoliberais no Brasil: Lula e Dilma, em 13 de maio de 2013, a filósofa Marilena Chaui afirmou que "(...) A classe média é uma abominação política, porque é fascista, é uma abominação ética, porque é violenta, e é uma abominação cognitiva, porque é ignorante." Críticas foram realizadas por variados atores políticos. Inclusive, no campo da esquerda não foram raras as afirmações de sua desconexão com a nova realidade da divisão de classes no país. Entretanto, cabe afirmar que, diante do pensamento que orienta as suas análises, teríamos um avaliação puro sangue em contraposição aos marxismos que pululam, como o próprio Karl Marx os rejeitava. Cumpriu a autora a tão esperada crítica da crítica, diante da condição residual e conservadora da classe média frente os reais autores históricos da luta de classe.
Abro para um debate que permita estender e entender as tomadas de posições que expõem uma aparente incoerência na esfera política. 

terça-feira, 31 de julho de 2018

Projeto Curricular

Neste semestre, os alunos terão a oportunidade de, reunidos em grupo, produzirem um blog relacionando o conteúdo ministrado e constante no plano de ensino com inquietações acerca de situações identificadas no cotidiano do e pelo estudante. O trabalho será uma das exigências para a conclusão da respectiva disciplina e permitirá romper o espaço acadêmico ao promover uma maior divulgação do conhecimento produzido na instituição. Dados iniciais para a execução do projeto: https://support.google.com/blogger/answer/1623800?hl=pt-BR

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Desejo a todos os meus alunos um novo semestre letivo repleto de descobertas e conquistas. Uma oportunidade para desenvolver nossas potencialidades e estabelecer vínculos que promovam um processo educativo de excelência. Sintam-se acolhidos.
Professor Edísio Ferreira

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Franz Boas

É interessante notar como o fluxo de conhecimento pode criar obstáculos ao acesso a importantes autores e obras. Franz Uri Boas (1858-1942) teve uma trajetória curiosa na academia brasileira. Considerado um dos fundadores da antropologia nos Estados Unidos, produziu críticas aos métodos dedutivo do evolucionismo cultural e difusionista. Influenciando de maneira significativa Gilberto Freyre, um dos nossos maiores intérpretes, é no seu embate com autores deterministas que muito do seu pensamento vincula-se às mentalidades no Brasil. Daí, pode-se destacar a relativa independência que deu aos fenômenos culturais frente aos conceitos etnocêntricos dominantes na época. Sua visão relativista das culturas, em oposição às teorias ortogenéticas, poderia ter atracado em nossas terras muito mais cedo. Ao menos, haveria um revigorar no rígido pensamento antropológico que marcou o nosso desenvolvimento. Mas, somente a partir de 2004, houve um despertar e difusão de suas obras autorais no nosso país. Com assombro, Celso Castro, pioneiro e organizador da significativa coletânea, Antropologia Cultural, provoca este aparente paradoxo. Atualmente, somam-se, dentre outros, os imprescindíveis: A Mente do Ser Humano Primitivo e Arte Primitiva, ambos pela Editora Vozes. Ao fim e ao cabo, tenho o prazer em compartilhar com meus alunos, trabalhos antes indisponíveis em português. Espero que haja uma boa acolhida a este clássico do pensamento antropológico. Como afirma Italo Calvino: "(...) para que não se pense que os clássicos devem ser lidos porque 'servem' para qualquer coisa. A única razão que se pode apresentar é que ler os clássicos é melhor do que não ler os clássicos."

Bem vindos!

Há alguns anos publiquei o meu primeiro blog. Foi uma experiência interessante e proporcionou um melhor contato com pessoas que matinham relações e desconhecidos que compartilhavam afinidades. Com o crescimento de redes sociais como Facebook e Twitter, as postagens tornaram-se cada vez mais escassas até o ponto de serem interrompidas. Porém, durante este período de afastamento, continuei a acompanhar blogs e pude observar que sua proposta é bastante distinta dos outros meios. Foi neste diapasão que revi minhas formas de produzir e publicar conteúdo. Retomei o interesse no  estilo de texto típico dos blogs, bem como, seu público leitor. Pois é. Retorno a estas paragens com objetivos semelhantes. Abrir um espaço de diálogo sobre cidadania, bioética e redes sociais. Sem pretensão acadêmica, proponho um bom debate sem abrir mão de argumentos sólidos. Espero encontrá-los mais vezes e que este seja o início de uma frutífera rede de colaborações.
Por Ragnvald - Trabalho próprio pelo carregador, CC BY-SA 2.5, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=2044811