É interessante notar como o fluxo de conhecimento pode criar obstáculos ao acesso a importantes autores e obras. Franz Uri Boas (1858-1942) teve uma trajetória curiosa na academia brasileira. Considerado um dos fundadores da antropologia nos Estados Unidos, produziu críticas aos métodos dedutivo do evolucionismo cultural e difusionista. Influenciando de maneira significativa Gilberto Freyre, um dos nossos maiores intérpretes, é no seu embate com autores deterministas que muito do seu pensamento vincula-se às mentalidades no Brasil. Daí, pode-se destacar a relativa independência que deu aos fenômenos culturais frente aos conceitos etnocêntricos dominantes na época. Sua visão relativista das culturas, em oposição às teorias ortogenéticas, poderia ter atracado em nossas terras muito mais cedo. Ao menos, haveria um revigorar no rígido pensamento antropológico que marcou o nosso desenvolvimento. Mas, somente a partir de 2004, houve um despertar e difusão de suas obras autorais no nosso país. Com assombro, Celso Castro, pioneiro e organizador da significativa coletânea, Antropologia Cultural, provoca este aparente paradoxo. Atualmente, somam-se, dentre outros, os imprescindíveis: A Mente do Ser Humano Primitivo e Arte Primitiva, ambos pela Editora Vozes. Ao fim e ao cabo, tenho o prazer em compartilhar com meus alunos, trabalhos antes indisponíveis em português. Espero que haja uma boa acolhida a este clássico do pensamento antropológico. Como afirma Italo Calvino: "(...) para que não se pense que os clássicos devem ser lidos porque 'servem' para qualquer coisa. A única razão que se pode apresentar é que ler os clássicos é melhor do que não ler os clássicos."

Ana Luiza /turma C direito postei no meu blog
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